O cartunista Edu Santana fala da sua arte e de seu novo trabalho.

23/08/2012

JN: Edu, como você começou a se interessar pelo desenho? Conte um pouco da sua história para nós. Edu: Naturalmente, com a infância repleta de gibis, nas alegrias dos bons livros de Literatura Infantil e no seu humor, tudo serviu para que a paixão pelo desenho surgisse e se alimentasse o coração. Creio que o desenho, por si só, não me envolveria por longo tempo sem que me acompanhassem boas histórias. Meus pais, tios e amigos sempre me incentivaram, dando-me (e também às minhas irmãs) livros e revistas de qualidade. O fascínio pelo desenho cômico, em meu caso, foi devido à combinação de conteúdos que os quadrinhos possibilitam. Minha grande influência quando menino sem dúvida era o Mauricio de Sousa. JN: Até hoje você já criou quantos personagens? É possível falar em preferência de algum? Edu: Se somarmos as principais as secundárias vamos próximo a trinta. Lembrando que este é um terreno pedregoso, há pouco incentivo para a produção e devemos sempre tentar criar alternativas nesse mercado. Bom, sou suspeito em falar, mas na verdade minhas personagens - sem exceção - me divertem, eu me sentiria realmente desonesto em lhes apresentar uma preferência. Se assim não fosse, não teria feito-os vários, não daria continuidade. JN: Hoje em dia há um questionamento em parte da sociedade pelo contexto lúdico que foi vivido na infância de muitas gerações e que atualmente se tornou polêmico, como as passagens de músicas de cantiga, como: “boi da cara preta pega esse menino que tem medo de careta...” ou “atirei o pau no gato, mas o gato não morreu...” entre outras. Qual o seu pensamento sobre isto? Você acha que o Cascão dos quadrinhos de Mauricio de Sousa se tornou polêmico porque influenciaria a criançada a não tomar banho? Edu: Bom senso nunca é demais. Para produções na linha infantil, então, este é o princípio. Porém, francamente, acredito que a boa instrução em família coopera bastante para uma mente saudável e seletiva. Não subestimo as crianças. Já pensou se alguns homens públicos atribuíssem sua descompostura à influência de um famigerado Zeca Urubu (de Walter Lantz), Bafo de Onça ou Maga Patalógica das HQs Disneyanas? (risos) Mauricio atraiu a atenção por focar com humor o comportamento do Cascão; valeu-se do conhecimento prévio de seus leitores mirins, ora, bem antes de aprendermos a ler sabemos tomar banho diariamente - e que a sujeirinha do Cascão ali é por diversão, não é um exemplo a ser seguido. Sem considerar discernimentos, enfim, lamentavelmente a arte se manifestaria inviável. JN: Em setembro você lançará um livro infanto-juvenil: A Saga do Nobre Cavaleiro D’ Oskaghans. Fale um pouco mais desse novo trabalho. Edu: Exato, e o livro transporta-nos a Idade Média. É uma história alegre, empolgante, embora narre os dias de um garoto que por infortúnio do destino não pôde desfrutar da criação com os seus pais legítimos. Nem por isso ele perdeu seu jeito camarada; cultivando o amor como norte a seus passos. Sonhava tornar-se um cavaleiro de verdade e, por medo de altura, escolheu um leitão como montaria. Seu capacete fora achado à beira do rio. De armadura fez um velho barril e a espada e o escudo também de madeira. Para completar, obviamente a contragosto do rei Bolâncio III, ele e a princesa apaixonaram-se. A luta, claro, é com a vida e contra um terrível dragão, veremos o que aconteceu... Vale a pena! Confira A SAGA DO NOBRE CAVALEIRO D’ OSKAGHANS. (Editora Reflexão) Lançaremos na UESB de Jequié, na Biblioteca Jorge Amado/ Auditório Waly Salomão, dia 08 de setembro, das 19:00h às 22:30. Formato livro: 16x23cm, 60 páginas, R$19,90.